sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Hace mucho que todo ya no me parecía tan confundido.
¿Qué, por dios, hay que hacer para lograrlo a la vez?
Que me parece a veces que no puedo y jamás lo podré. Una lástima más grande que para todos, para mí.
Una incapacidad, ¿qué decir?, física y, quizá, mental. No me puedo ayudar en eso. Tampoco otros me lo pueden.
Hay cintas atándome desde mis manos hasta los hombros.
De una manera irresistible y dolorosa.
Y acá adentro, esa desesperación.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Um feliz natal, meu amor.

Meu amor,

Apesar de ser essa data uma data, hoje em dia, já deturpada e corrompida pelo capitalismo, é inevitável se aleijar da onda que ela traz junto com ela.

Essa onda, de alguma forma surreal, toma conta das pessoas e torna o momento uma coisa meio esquisita: tem gente que gosta, gente que não, mas o fato é que quase ninguém fica intocado por isso tudo.

Eu, sinceramente, apesar de gostar, não tenho ainda uma ligação tão forte com ele. Me parece uma comemoração importante e, ao mesmo tempo, dispensável. Mas, bom, esse não é bem o assunto da carta, afinal. O que acontece é que vendo tudo de errado que tem por trás do Natal, e todas as hipocrisias e chatices, eu vejo o que eu espero que ele um dia represente pra mim.

Eu imagino, (e imaginando, desejo, obviamente) uma noite realmente feliz. E um dia 24 cheio de trabalho, uma casa finalmente arrumada, uma árvore bem grande cheia de luzes, imagino presentes embalados embaixo dessa árvore esperando pelo amigo-oculto, imagino uma guirlanda linda na porta de entrada e um papai noel dançante no canto da sala. Aquela sala grande, com aquela iluminação fraca, com aquela decoração rústica, cheirando a madeira, essa sala agora teria toalhas vermelhas e velas. Teria, também, galhos de visgo nas paredes, um em torno do quadro com aquela foto incrível que ganhou aquele prêmio.

Imagino então, depois de tudo feito, a hora de tomar banho e botar as roupas novas e bonitas. Imagino as crianças penteadas e lindas, prontas pra ficarem de novo sujas e descabeladas. Imagino a empolgação e a carinha de feliz dele, quando eu digo que o papai noel me ligou e falou que viria, sim, com a bicicleta.

Ela ainda é pequenininha, tem uns três ou quatro anos, e os olhos são os seus. O vestidinho é vermelho e ela tem dois laçarotes no cabelo liso e preto. Cabelos esses, meus.

Eu imagino o cheiro do peru terminando de assar. E o nosso perfume recém passado se confundindo com ele. Imagino a campainha tocando. E todo mundo, aos poucos, entrando e fazendo de verdade o natal. Os amigos reunidos, a família, as crianças, o falatório alto, as pessoas elogiando a casa, a comida, o vinho, as crianças, a música. Imagino os presentes de verdade. Porque, nesse dia, vai valer a pena o cansaço e o esforço do ano inteiro. Principalmente quando eu vir o rostinho de feliz dela com o conjuntinho de pintura que o papai comprou.

E, no final, todo mundo vai celebrar de verdade o natal. E eu sei que a cada natal desse, vai ser um natal mesmo, porque as coisas vão nascer de novo.

Eu imagino isso, meu bem. E muita coisa mais, mesmo. E eu imagino tudo isso com você. E, talvez, se eu não tivesse você, eu nem imaginaria. Eu desejo muito. E só com você.

Que esse Natal seja mesmo um natal, que tudo que tiver de renascer, renasça. Que o que tiver que ser fortalecido, se fortaleça. Que o que tiver que morrer, morra.

De resto eu só tenho a dizer que eu desejo pra você nada menor do que o que eu desejo pra mim: muita felicidade, muita paz, muita saúde, muitas conquistas, muito sucesso, e tudo o que você quiser e tiver que ser. Eu desejo como a mim. Eu desejo a você todo o amor do mundo. Que você consiga pra sua vida exatamente o que você quer, se for justo.

E desejo, obviamente, que você passe mais um ano compartilhando tudo isso comigo também, me fazendo muito feliz e sendo muito feliz comigo. Eu espero que, além desse, passemos juntos muitos outros natais. Que você me queria sempre e que eu o queira de volta. E que nós aprendamos a viver juntos e em harmonia cada vez mais. Eu não sei bem ao certo onde isso que eu vou falar agora se encaixa no enredo da carta, mas eu queria dizer que te acho uma pessoa maravilhosa, bonita, cheia de potencial, cheia de coisa boa. E que poucas coisas valem mais pra mim na vida do que um sorriso seu.

Um feliz Natal, meu amor.

Da sempre tua,

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Espiral Colorida

no fim da rua tinha um pote de ouro
do outro lado da calçada tinha um cachorro correndo em volta do próprio corpo querendo morder seu rabo
mais à frente, um sorveteiro distribuía sua simpatia (junto com sorvetes, é claro) pra quem passasse
se olhasse mais pra esquerda, via uma grande grama verdinha, esperando pra ser rolada
o dia tinha sol
e o vento refrescava de leve, sem trazer frio
tudo era colorido
depois do sorveteiro, tinha um moço com uma mangueira que podia molhar quem quisesse
as margaridas dele eram de um amarelo... o mais vivo que existia.
e a sombra das árvores vinha junto com as amoras, as mangas e os cajás que caíam delas.


a menina continuava a seguir essa rua
(com seu leve vestido de algodão e renda, seus cabelos molhados ainda do banho, sua sandália de nuvem)
se perguntando por quanto mais tempo ela seria assim, linda, antes que a tempestade viesse.

domingo, 27 de novembro de 2011

Her heaven is never enough

Eu não acho, sinceramente, que a gente possa tapar as linhas passadas, tapar os velhos tempos... nem fingir que nada mais mudará.
Porque as coisas vão mudar, é evidente.

Ainda que isso seja me apunhalar no pescoço, ainda que seja (e eu sei que é).
Eu gostaria mesmo era de poder comer o sal dos teus lábios perdidos e fadigados.

Mas é diferente agora:
A gente pode achar novas maneiras de viver,
sem mais jogos lógicos e prejudiciais, dessa vez.

E eu sei que, assim como eu, você vai acabar se apunhalando no pescoço. Porque isso é se apunhalar.
Mas por você mesmo.
Até porque, eu não quero mais ter que pesar no teu coração.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

eu me lembro de quando você me emprestou esse filme pela primeira vez
e começou o movimento que hoje é quase completo: o de fazer parte de mim.
porque hoje não falta mesmo muito:
as fotos da tua infância estão no meu computador
e a tua 3x4, na minha carteira.
as músicas que você me passou
os filmes que você me indicou
os livros que você me emprestou
tua careta pra ajeitar os óculos no nariz
as palavras que você diz sempre
o seu jeito de bagunçar os cabelos
e a sua risada larga
o toque do teu celular
e o teu casaco ainda aqui em casa


não venha você querer me dizer que isso tudo é só seu.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Olê olê olê olá

Não chore ainda não, que eu tenho um violão
E nós vamos cantar
Felicidade aqui pode passar e ouvir
E se ela for de samba há de querer ficar
Seu padre toca o sino que é pra todo mundo saber
Que a noite é criança, que o samba é menino
Que a dor é tão velha que pode morrer
Olê, olê, olê, olá
Tem samba de sobra, quem sabe sambar
Que entre na roda, que mostre o gingado
Mas muito cuidado, não vale chorar

Não chore ainda não, que eu tenho uma razão
Pra você não chorar
Amiga, me perdoa, se eu insisto à toa
Mas a vida é boa para quem cantar
Meu pinho, toca forte que é pra todo mundo acordar
Não fale da vida, nem fale da morte
Tem dó da menina, não deixa chorar
Olê, olê, olê, olá
Tem samba de sobra, quem sabe sambar
Que entre na roda, que mostre o gingado
Mas muito cuidado, não vale chorar

Não chore ainda não, que eu tenho a impressão
Que o samba vem aí
É um samba tão imenso que eu às vezes penso
Que o próprio tempo vai parar pra ouvir
Luar, espere um pouco, que é pra o meu samba poder chegar
Eu sei que o violão está fraco, está rouco
Mas a minha voz não cansou de chamar
Olê, olê, olê, olá
Tem samba de sobra, ninguém quer sambar
Não há mais quem cante, nem há mais lugar
O sol chegou antes do samba chegar
Quem passa nem liga, já vai trabalhar
E você, minha amiga, já pode chorar


Aquele estágio em que você não sabe nem mais o que falar, como falar ou com quem.
Porque você já nem sabe o que sente.